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Mulheres na mineração: força feminina do setor cresce no oeste paraense
Programas de diversidade se mostram necessários para inclusão de mulheres
Entre os maquinários da oficina de caminhões de pequeno porte da Mina Aviso, no distrito de Porto Trombetas, em Oriximiná, oeste do Pará, dezenas de homens estão a postos para garantir que as manutenções, caso necessárias, ocorram de maneira rápida e eficaz. Na liderança da equipe, quem tem garantido essa fluidez é Juciléia Costa, técnica de Planejamento de Manutenção de Máquinas Móveis da Mineração Rio do Norte (MRN). “Sempre tive o desejo de trabalhar em uma grande empresa, multinacional e reconhecida”, pontua a técnica ao lembrar os motivos que a têm feito conquistar espaço em um setor majoritariamente masculino. Entrou na empresa como assistente administrativa e quase 10 anos depois já lidera uma equipe de profissionais.
Há poucos quilômetros dali, na área de Beneficiamento da Mina Saracá, a jovem eletricista Ádina Santos, da comunidade Moura, também tem escrito sua história de conquista de espaço. Em fevereiro de 2021, entrou na empresa como Jovem Aprendiz e, em novembro de 2022 viu seu nome compor o quadro de empregados efetivos. “Quando eu cheguei aqui, fiquei surpresa porque eu olhava e não via muitas mulheres, me senti uma formiguinha ao lado de um elefante. Foi em meio à pressão para execução de algumas tarefas, que pude perceber a mudança de olhar deles ao verem que também conseguiria executá-las”, conta.
Relatório desenvolvido pela Women in Mining Brasil (WIM Brasil), em parceria com a EY People Advisory Services, revelou que as mulheres representam 17% da força de trabalho do setor mineral do país. Para refletir e estimular perspectivas de mudanças nesse quadro, não muito diferente em outros países, a International Women in Mining (IWiM) criou, em 2022, o Dia Internacional das Mulheres na Mineração, celebrado anualmente no dia 15 de junho. “Mesmo que os nossos números não pareçam tão expressivos, eles já representam uma mudança no setor mineral e, passa a ser preocupação recorrente tendo em vista a pauta da inclusão de gênero, mostrando que a mulher pode estar onde ela quiser”, destaca a diretora da WIM Brasil e gerente geral de Comunicação da MRN, Karen Gatti.
Presente e futuro
Ainda de acordo com o relatório da WIN Brasil, 97% das empresas participantes da pesquisa disseram possuir um programa de Diversidade, Equidade e Inclusão estruturado. Para acompanhar essas mudanças, a MRN tem investido na ampliação de espaço para as mulheres por meio da implementação de práticas como a reformulação de programas de Trainee e Jovem Aprendiz, e ampliação do programa de Diversidade & Inclusão, o MRN pra Todos. Os resultados são vistos no dia a dia. Em 2021, a força feminina da MRN saltou aumentou de 6,6% para 9,2%. Já em 2022, o quantitativo aumentou novamente para 11,8%.
“Quando eu cheguei, eu pensei ‘nossa, como é que vou trabalhar com caminhões, no meio de um universo de homens?’ Mas, sempre fui muito bem tratada, muito bem recebida e tive colegas que sempre me apoiaram e isso fez uma diferença imensa dentro de minha trajetória na MRN”, relembra Juciléia Costa.
Karen Gatti destaca que os números deste cenário da empresa refletem, especialmente, o direcionamento desenvolvido pelos pilares de diversidade da MRN. De acordo com a executiva, o objetivo é ampliar cada vez mais a representatividade e inclusão nos diferentes setores. “Além dos pilares de Gênero, temos o pilar de Etarismo, Raça e Etnia, LGBTQIA+, que são trabalhados de maneira integrada e conjunta, mas sempre respeitando a individualidade de cada um”, explica.
Orgulho e Perspectivas
Mãe de três filhos, Ádina conta que sua maior conquista é, sem dúvida, saber que dará a eles o que ela não pôde alcançar quando criança e que eles, ao chegarem a fase adulta terão uma certeza. “A primeira e única mulher eletricista da comunidade a conquistar um espaço tão grande assim”, afirma. A profissional acredita ainda que a presença de mulheres em ambientes de trabalho dominados por homens pode estimular o interesse de outras mulheres a ousarem em suas escolhas profissionais. “Daqui para a frente sei que não verei mais esse cenário, uma multidão de homens com uma ou duas mulheres, será mais igual”, aponta.
A técnica de planejamento Juciléia Costa conta que em nenhum momento se viu em meio à indiferença por parte dos colegas, mas que, segundo ela, ainda há um receio de mulheres em aceitar desafios nesses espaços. “Acreditem em você. Busquem seus sonhos, busquem seus objetivos. Não parem. Se alguém olhar torto, não deem importância. Foque no seu processo porque você sabe que é capaz”, garante.
“As mulheres têm um papel fundamental dentro da mineração. Elas são pioneiras e trazem uma perspectiva diferenciada com novas abordagens. É sabido que uma empresa diversa consegue, inclusive, ter melhores resultados financeiros do que uma empresa que não trabalha essas pautas. Então focar na inclusão das mulheres na mineração não é apenas uma questão estratégica, mas de futuro”, pontua Karen Gatti.
Ações movimentam Semana do Meio Ambiente na MRN
Visitas, workshops e palestras, levaram os participantes a discutir sobre práticas sustentáveis
Fauna, flora, gestão de resíduos e monitoramento hídrico foram os temas tratados durante as ações promovidas pela Mineração Rio do Norte (MRN), em celebração a Semana do Meio Ambiente. Entre workshops e palestras, empregados e visitantes trocaram saberes e experiências sobre sustentabilidade e preservação ambiental.
À frente do workshop sobre resíduos industriais, a engenheira ambiental Dayane Moreira destacou que a MRN tem investido em diferentes áreas quando se trata de gerenciamento de resíduos. Por isso, possui facilitadores dentro de cada uma dessas áreas: “São empregados responsáveis por levar informações e esclarecimentos acerca do descarte adequado, identificação e segregação dos resíduos. Quando nos reunimos queremos possibilitar que mais pessoas tenham acesso a informações sobre a destinação adequada para os resíduos”, comentou.
A gestão de resíduos também foi assunto na área florestal do Meliponário, do Programa de Resgate e Monitoramento de Abelhas sem Ferrão, apresentado pelo analista ambiental, Leonardo Lino. Ele destacou ainda que a reutilização não passa despercebida pelo programa, fazendo com que ao menos 80% dos materiais utilizados são reaproveitamento de resíduos: “Os pedaços de telhas que não seriam mais úteis às obras, pedaços de madeira sem valor comercial que seriam descartados no processo de supressão, são utilizados na construção do meliponário. Ou seja, além de preservarmos uma quantidade grande de polinizadores, fundamentais ao desenvolvimento de áreas revegetadas, desenvolvemos uma pegada sustentável com o reuso de materiais”, explicou.
Educar para preservar
Que educação e preservação ambiental andam juntas, a criançada dos Jardins II e Fundamental I do Colégio Equipe, no distrito de Porto Trombetas, município de Oriximiná, sabe bem. Com exemplares da fauna silvestre, os estudantes receberam orientações sobre os cuidados necessários para evitar acidentes com animais peçonhentos e transmissão de doenças. Atento a cada pergunta, o responsável pelos conhecimentos repassados aos pequenos foi o analista ambiental Pedro D´Ávila. Para ele, o despertar do interesse pela sustentabilidade ainda na fase infantil é fundamental.
“Por conta da falta de conhecimento, as pessoas matam os animais. Então é explicar o papel deles dentro da natureza e como sua falta pode impactar o meio ambiente como um todo. Levar essa mensagem às crianças é possibilitar a preservação de muitas espécies”, explica D´Ávila.
Mas não foram só as crianças que levaram novos conhecimentos para casa. Nos restaurantes do distrito, empregadores e moradores eram abordados quanto ao descarte adequado do lixo orgânico e como ele pode ser útil por meio da compostagem. “Quando há o desperdício de alimentos e/ou esse tipo de resíduo é segregado de forma inadequada, pode haver problemas que afetarão diretamente a destinação sustentável desses resíduos, assim como pode colocar em risco a integridade física dos colaboradores tanto da Limpeza Urbana quanto da Central de Tratamento de Resíduos (CTR). Na MRN, quase 90% dos resíduos orgânicos produzidos é direcionado à compostagem, contribuindo significativamente na redução de emissão do metano que poderia ser lançado na atmosfera, assim como também contribui para o aumento da vida útil do aterro sanitário. O resultado disso é a geração de um composto orgânico que pode ser utilizado em jardins ou hortas, tendo em vista que ele é distribuído gratuitamente”, destacou o analista ambiental Nivaldo Silva.
Quem deixou a ação satisfeita foi a biomédica Juliana Teixeira. Ela contou que os familiares sempre foram apaixonados por plantas e ao descobrir que o distrito dispõe de adubo orgânico, dará atenção redobrada à destinação do lixo doméstico. “Esse tipo de ação é fundamental porque, ao ouvir o que pode acontecer com a natureza a partir dos resíduos, nos tornamos mais conscientes com o descarte”, afirmou.
Sustentabilidade
Simultâneo aos minicursos e workshops, visitas ao Viveiro Florestal e Epifitário, foram realizadas visitas nos processos de reflorestamento e monitoramento hídrico para apresentar todas as etapas e importância destas atividades. O gerente geral de Licenciamento e Controles Ambientais, Marco Antonio Fernandez, lembrou que a Semana do Meio Ambiente é um momento oportuno para refletir sobre respeito e compartilhamento. “É sobre o cuidado com os animais, com as plantas, da floresta como um todo. Cuidados que refletem, sem dúvida alguma, no bem-estar de todos”, ressaltou.
Abertas as inscrições para o Concurso Cultural da MRN
Iniciativa revela talentos e estimula olhares a partir da sustentabilidade
Expressar emoções de olhares conectados à sustentabilidade. Esse é um dos objetivos da 4ª edição do Concurso Cultural “Orgulho de crescer com a natureza à nossa volta”, promovido pela Mineração Rio do Norte (MRN). As inscrições iniciam nesta quinta-feira (1) e seguem até o dia 27. Nas modalidades Desenho e Fotografia, podem participar crianças, jovens e adultos dos municípios de Oriximiná, Faro e Terra Santa, no oeste do Pará.
A temática do concurso cultural propõe aos participantes materializar a essência de suas perspectivas de interação com o meio ambiente, no pertencimento do enxergar e do viver na natureza. Os trabalhos apresentados serão avaliados por uma comissão julgadora a partir de critérios como capacidade técnica, criatividade, originalidade e relevância ao tema.
No ano passado, 170 trabalhos inscritos foram avaliados. Na categoria Fotografia, as lentes da consultora ambiental Jessiane Nogueira, focadas em mostrar que "A beleza da natureza está nos detalhes", a levaram a conquistar o 1º lugar. Na categoria Desenho I, a liderança do pódio foi para a pequena Alice Fonseca, de 6 anos de idade, que de seu imaginário revelou uma aquarela de um boto-cor-de-rosa. Já o 1º lugar da categoria Desenho II foi conquistado pela adolescente Natália Sampaio, de 14 anos, que morou na comunidade Ajudante e resgatou a infância ao retratar a exuberância de uma castanheira que ela sempre admirava ao longo do trajeto para o distrito de Porto Trombetas.
A meta deste ano é alcançar um público ainda maior. “O concurso tem sido um sucesso durante esses anos e, na quarta edição, estamos muito otimistas de que teremos um número maior de trabalhos inscritos em parceira com as escolas, com mais crianças, adolescentes e adultos, representando, por meio de desenhos ou fotografias, toda a história sustentável que estamos escrevendo na região”, destaca a analista de comunicação Loyana Demétrio.
O Concurso Cultural também consolida, de forma humanizada e estratégica, a valorização das ações socioambientais desenvolvidas pela MRN. Karen Gatti, gerente geral de comunicação da empresa, lembra com carinho a trajetória da iniciativa, quando no auge da pandemia, em 2020, recebeu a sugestão de fazer um concurso para a Semana do Meio Ambiente.
“Faltava uma semana para o dia 6 de junho e repactuamos para o aniversário da empresa. O concurso deu super certo. E a partir de 2021, conseguimos puxar para o mês correto. Virou o xodó das equipes de Comunicação, Meio Ambiente e Relações Comunitárias. Um concurso que nasceu virtual e agora aquece Porto Trombetas, comunidades vizinhas, municípios e é uma excelente oportunidade de revelar talentos que se conectam ao sentimento de proteção à natureza”.
Após o concurso, os desenhos e fotografias apresentadas estamparão conteúdos desenvolvidos dentro da MRN. “Ter o olhar das pessoas sobre como elas enxergam a região onde nós estamos, retratado por meio da arte, é muito rico. Tanto que temos um cuidado de valorizar esses trabalhos por meio de nossas ações, seja nos calendários, cadernos ou Relatório de Sustentabilidade”, ressalta a executiva.
Fique atento(a) ao regulamento e saiba como participar:
Desenho
Estudantes que residam em Porto Trombetas, Oriximiná, Faro, Terra Santa e comunidades quilombolas e ribeirinhas que têm interface com o empreendimento.
Categoria 1:
- Crianças de 3 a 7 anos de idade, matriculadas no Ensino Infantil.
Categoria 2:
- Alunos (as) de 8 a 17 anos de idade, matriculados nos Ensinos Fundamental e Médio.
Fotografia
Categoria única:
1) Universitários(as) beneficiados (as) por bolsas estudantis cedidas pela MRN;
2) Empregados (as) próprios ou de contratadas da MRN;
3) Pessoas com mais de 18 anos que residam em Porto Trombetas, Oriximiná, Faro, Terra Santa e comunidades quilombolas e ribeirinhas que têm interface com o empreendimento.
O resultado será divulgado no dia 24 de julho.
Projeto reforça prevenção à malária em comunidades às margens do rio Trombetas
Só nos primeiros 10 anos de atividades, a iniciativa já contribuiu para a redução de 97% dos casos da doença na região
Quando os meses de maio e junho batem à porta, Márcio Nascimento, da comunidade Boa Vista, do município de Oriximiná, no oeste do Pará, já sabe que a equipe de sanitização do Projeto de Combate à Malária também está chegando. “Sempre tenho aberto as portas, porque sei que ajuda muito a nos proteger de uma doença que pode matar”, afirma o almoxarife. A iniciativa é desenvolvida pela Mineração Rio do Norte (MRN) e conta com o apoio da Secretaria de Saúde do município.
“Durante o mês de maio fazemos a primeira etapa da campanha e retornamos durante o mês de outubro. Com o período chuvoso, os mosquitos passam a procurar locais para se abrigar. Por isso, conversamos com os comunitários sobre a necessidade tanto da borrifação quanto do fumacê”, explica Luanne Gato, técnica em saneamento do projeto. Vivendo no Boa Vista desde 2006, Márcio conta que, durante esse período, já deixa a família ciente da necessidade de receber a equipe. “Quando posso, também tenho conversado com os vizinhos próximos sobre essa importância”, relata.
Dividido em duas etapas, o projeto, desenvolvido em 21 comunidades quilombolas e ribeirinhas e em duas aldeias indígenas, faz parte do Programa de Educação Socioambiental (PES) da MRN, promovendo ações preventivas por meio da borrifação de inseticida no interior das residências, inspeção embaixo dos assoalhos e pulverização de fumacê à noite.
Prevenção em foco
Transmitida por meio da picada de mosquitos infectados por protozoários do gênero Plasmodium, a malária é uma doença infecciosa que pode causar quadros de febre alta, calafrios, dores de cabeça e até a morte. Os mosquitos vetores da doença costumam aparecer durante o nascer e o pôr do sol, mas agem, principalmente, à noite. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a região amazônica concentra 99% dos casos no país. Ainda não há vacina disponível contra a doença no Brasil. Por isso, a principal forma de prevenção são as medidas sanitárias.
A dona de casa Maria de Fátima sabe bem dessa necessidade. Há 21 anos vivendo na comunidade Moura, lembra quando ela e um dos quatros filhos tiveram a doença. “Eu sentia muito frio, dores de cabeça e no corpo. Quando fizeram a lâmina, disseram que era malária. Fiquei bastante abalada porque demorei quatro dias para procurar o médico”, relata a comunitária, que também não mede esforços para abrir as portas à equipe de saúde. “Eu sempre digo ‘eles não vêm trazer só borrifação, mas prevenção`, porque a gente sabe que todo ano a malária aparece”.
Cidadania
O Projeto de Combate à Malária nasceu em 1999, em um período de grande incidência da doença, quando foram registrados 1.126 casos na região. Em menos de dez anos de projeto, o registro caiu para 27 casos, representando uma redução de 97,6% nas incidências. A depender de fatores sazonais, o número de novos casos pode variar. Por conta disso, a MRN tem desenvolvido ações que visam controlar o mosquito transmissor da malária, bem como ações educativas para conscientizar os moradores quanto à maneira correta de se prevenir, com orientações como não deixar água parada, manter limpos os arredores da casa, permitir que a equipe faça a borrifação no seu imóvel e, em caso de sintomas da doença, como febre alta, tremores, sudorese e dor de cabeça, procurar um posto ou um agente de saúde.
“Essa campanha e as ações educativas são realizadas pela MRN. Já os exames e tratamentos são feitos pelo município e pelo Hospital de Porto Trombetas (HPTR). Nesse caso, eles nos enviam as notificações, nós identificamos as comunidades afetadas e nos dirigimos até elas”, explica o coordenador do projeto, Edmundo Barbosa, que também lembra o papel dos moradores na mobilização. “São eles que vão garantir que o mosquito não se procrie. Se os moradores tomarem as medidas preventivas, a doença estará sempre em controle em nossa região”, explica.
“Eu acho muito importante esse projeto porque o carapanã da malária precisa ser borrifado. Ele existe, mas como são vários tipos, não sabemos qual é. Por isso que todo o tempo que a equipe vem eu faço questão que eles venham borrifar aqui também”, ressalta a dona de casa Maria de Fátima.
Iniciativa estimula o empreendedorismo feminino em comunidades de OriximináIniciativa estimula o empreendedorismo feminino em comunidades de Oriximiná
Ao todo, 95 comunitários participam dos cursos ofertados pela MRN, e destes, 80% são mulheres
Sob o verde da Floresta Nacional Saracá-Taquera, no município de Oriximiná, no oeste do Pará, cascas de taperebá, cupuaçu, ouriço de castanha e sementes de açaí são exemplos de matérias orgânicas fundamentais para a qualidade do solo amazônico. Mas, nas mãos habilidosas dos 95 artesãos do Projeto de Educação Ambiental e Patrimonial (PEAP), essas mesmas matérias ganham outros significados. A iniciativa faz parte do Programa de Educação Socioambiental (PES), da Mineração Rio do Norte (MRN), que oferta, por meio do Projeto PEAP, um processo educativo com capacitações continuadas viabilizadas em cursos, oficinas e assessoria técnica nos eixos de biojoias e de artesanato em cerâmica.
“É uma terapia”, define a artesã Cléia dos Santos. Da comunidade Último Quilombo, ela participa do curso de biojoias desde 2002. A cada nova turma, os aprendizados constantes têm aprimorado as peças produzidas pelos artesões. “Nós vendemos nas comunidades e aproveitamos as feiras que são realizadas em Porto Trombetas. Quando não, batemos nas portas, deixamos nos barcos e, assim vamos comercializando,” relata a comunitária de 63 anos, que planeja deixar os aprendizados para seus sucessores. “Eu pretendo passar de geração para geração. Eu acredito que é a maior riqueza que eu posso deixar para meus filhos e netos”, garante.
Na comunidade Jamari, do território quilombola Alto Trombetas II, do mesmo solo onde os vegetais colhidos são reinventados, provém a argila, que nas mãos da agricultora Edneuza Fernandes, de 44 anos, ganha forma de utensílios para o lar, como panelas e jarros. Participando da formação de artesanato em cerâmica pela primeira vez, a comunitária se diz ansiosa pelos próximos encontros. “Tem sido uma experiência muito boa. Apesar de eu estar começando, estou gostando muito”, relata. Satisfação compartilhada pela Mariene de Jesus. Líder da comunidade, ela acompanha o projeto há três anos e almeja empreender com a produção de cerâmicas. Mas ela sabe que, para isso, é necessário acompanhar as mudanças. “O rendimento nunca vem logo de cara. Você primeiro tem que aprender e, depois de muito trabalho e aprendizado, é que vemos o resultado”.
Depois da colheita, o semeio
Se no dia a dia do PEAP é necessário ir até a floresta coletar a matéria-prima, é na vida das comunitárias que há futuros sendo semeados. Do Último Quilombo, a estudante Laurinele Figueira participa do curso de biojoias desde o ano passado, a convite de uma tia. “No começo eu achei bem difícil”, lembra a jovem que, aos 17 anos, tem produzido diferentes adornos, como colares e brincos. A meta agora é poder contribuir para a formação de outras pessoas. “Muitos ainda não sabem e, se eu sei, posso levar isso para dentro da minha comunidade”.
Outro exemplo de quem também abraçou a iniciativa é a jovem Renata Cordeiro. Moradora do Jamari, ela tem 23 anos de idade e atua com a produção de peças de cerâmica, mas sempre retorna à formação em busca de novidades. “Estou aprendendo o que eu não sabia e o professor traz isso para nós. É uma boa oportunidade não só de conhecimento, mas de uma renda extra se o aluno continuar”, ressalta.
Respeito aos saberes
A produção de peças em cerâmica faz parte da cultura de boa parte das comunidades tradicionais. Por isso, o instrutor Del Almeida destaca que cada conhecimento é valorizado durante as formações. “O que nós passamos são as técnicas, porque muitos chegam com certa habilidade, mas são necessários alguns alinhamentos para que essa peça saia o mais perfeita possível, com uma qualidade maior para competir no mercado”, explica o instrutor, que também lembra o papel do PEAP na valorização cultural. “Além de estimular o que eles têm feito, agrega valor ao patrimônio cultural presente na região”.
Instrutora do curso de biojoias, a designer Lídia Abrahim pontua que as potencialidades de cada aluno são sempre observadas, o que torna necessária a abordagem do ‘saber fazer’ no empreendedorismo. “Cada aula é pensada para que os alunos também sejam estimulados a criar”, conta. Lídia cita ainda que o feedback dos alunos tem sido cada vez mais positivo, uma vez que os comunitários seguem produzindo mesmo durante as pausas nas formações. “Eu fico muito emocionada quando os alunos me contactam, enviando fotos das vendas, participando de feiras, mostrando que estão tendo um retorno financeiro e que estão felizes por isso. São formas de visualizar os objetivos do projeto sendo alcançados”, relata.
PEAP
O Projeto de Educação Ambiental e Patrimonial nasceu em 2001, fruto de uma pesquisa arqueológica desenvolvida, na época, pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MEPG) em Oriximiná. Desde 2010, passou a integrar o Programa de Educação Socioambiental da MRN e hoje é realizado pela empresa Biota, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). Os eixos Biojoias e Cerâmica são realizados em comunidades quilombolas do território Alto Trombetas II, reunindo um total de 76 mulheres e 19 homens, o que reforça o fomento ao empreendedorismo feminino da região.
A missão da iniciativa é promover o resgate, conservação e valorização do patrimônio ambiental, cultural e arqueológico junto às comunidades da área de influência da MRN, fomentando o fortalecimento da identidade e da organização comunitária por meio do reconhecimento da história local e aprendizagem de técnicas e práticas que fazem parte da cultura quilombola, além de proporcionar uma alternativa para geração de renda.
“As atividades são divididas em módulos no decorrer do ano. Nós entramos em contato com os líderes das comunidades para fazermos a mobilização dos alunos e dois especialistas ministram as aulas. Nós temos buscado que os comunitários participem cada vez mais e, assim, possam aproveitar os bons resultados do projeto”, explica o consultor da iniciativa, o biólogo Murilo Pimenta.
Suspensas entre os anos de 2020 e 2021, ações do PEAP retornaram em 2022. A analista de Relações Comunitárias da MRN, Genilda Cunha, ressalta a importância do projeto que busca o desenvolvimento a partir da perspectiva da sustentabilidade. “O comunitário aprende a enxergar a floresta com um olhar diferenciado e a perceber o que ele pode trazer de riqueza dela, sem causar nenhum dano ao meio ambiente. Você reaproveita um bem natural, agregando identidade a ele. O que para muitos seria inútil, você cria uma utilidade e agrega valor. É um projeto que tem todo um respeito com a cultura local, mas, acima de tudo, com o meio ambiente”.
Ibama conclui audiências públicas do Projeto Novas Minas
Encontros foram realizados em Faro, Terra Santa e Oriximiná, municípios nos quais estão localizados os novos platôs para continuidade operacional da MRN na região
Mais de 1.600 pessoas presentes em eventos que totalizaram cerca de 20 horas de duração e que proporcionaram uma ampla participação no debate, com 192 manifestações, entre questionamentos orais e por escrito. Esse é o resultado das três audiências públicas promovidas, entre os dias 8 e 12 de maio, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para discutir o Projeto Novas Minas (PNM), empreendimento de continuidade operacional da Mineração Rio do Norte (MRN). Os encontros foram realizados nos municípios de Faro, Terra Santa e Oriximiná.
As audiências públicas estão entre as etapas do processo de licenciamento ambiental e são fundamentais para que a sociedade conheça mais detalhes sobre o empreendimento, tire dúvidas e faça contribuições. Todos os questionamentos colhidos durante as manifestações nas audiências serão analisados pelo Ibama, que está conduzindo o licenciamento do PNM.
Vladimir Moreira, diretor de Sustentabilidade e Jurídico da MRN, pontuou a importância dos debates e qualidade das discussões. “Não tenho dúvida de que isso resulta de uma intensa preparação da empresa para divulgar amplamente o projeto para a sociedade. Foram mais de 40 reuniões prévias e setoriais, contemplando mais de 60 comunidades, prefeituras, câmaras municipais, associações comerciais e entidades representativas. As audiências públicas são um direito da população. Como foi dito por um dos presentes: é um dos eventos mais democráticos do processo de licenciamento por meio do qual toda comunidade impactada pelo projeto e as pessoas interessadas têm a oportunidade de se manifestar, com críticas e sugestões. E todas elas serão observadas”, destacou.
Contribuições e inovação
O PNM foi detalhado pelo gerente geral de Projetos da empresa, Yanto Araújo. O executivo falou das contribuições para a região, como a geração de mais 6 mil empregos, dos quais 86% são compostos por paraenses, os mais de 60 projetos socioambientais, incluindo iniciativas educacionais e de formação profissional. Também destacou as contribuições financeiras, como os R$ 320 milhões arrecadados de impostos, taxas e contribuições, os R$ 63 milhões em compensação pela lavra da bauxita e a internalização de compras e serviços, que somam R$ 877 milhões, além de investimentos diretos no oeste do Pará, na ordem de R$ 585 milhões.
Yanto Araújo falou ainda sobre uma das principais inovações do empreendimento: o Método de Disposição de Rejeito Seco em Cava. “Após a secagem, o rejeito é retirado dos reservatórios e depositado nas cavas, ou seja, no seu local de origem onde a mineração de bauxita já foi finalizada. As cavas cheias serão cobertas com camadas de solo e terra preta e, em seguida, reflorestadas com vegetação nativa. Isso vai evitar a construção de novos reservatórios, reduzir a necessidade de supressão vegetal, tornando a operação ainda mais sustentável. Lembrando que o rejeito de bauxita é o resíduo que sobra após a lavagem do minério, em um processo simples, que não usa produtos químicos, apenas água”, explicou.
O gerente destacou ainda que haverá um Programa de Qualificação Profissional para o PNM, que contará com consultoria especializada e parcerias do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Sistema Nacional de Emprego (Sine). Serão ofertadas qualificações para engenheiros, administradores, técnicos, carpinteiros, eletricistas, motoristas dentre outros.
Diálogo aberto
O PNM prevê a mineração em cinco novos platôs: Cruz Alta Leste, Barone, Jamari, Rebolado e Escalante, prolongando em mais 15 anos as operações da MRN na região. “Esse processo de licenciamento vai permitir a continuidade de um projeto estruturante e sustentável de geração de renda, emprego, tributos e muitas outras iniciativas de responsabilidade social e ambiental que vão modificar a vida das pessoas, assim como tem sido modificado há mais de quatro décadas”, ressaltou Vladimir Moreira.
Hildo Pereira Tavares, presidente da Câmara de Vereadores de Faro, agradeceu a oportunidade de participar da audiência e uma das questões levantadas por ele foi sobre a qualificação para jovens. “Muito importante essa audiência. Agora sobre qualificação também destaco que, além das oportunidades da empresa, os pais também devem preparar seus filhos para o futuro. Como instituição estamos à disposição da MRN e na expectativa do projeto”, declarou.
Rosa Silva, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em Terra Santa, esteve presente na audiência do seu município e comentou que o diálogo foi fundamental para ampliar a percepção sobre o PNM. “A partir do diálogo, os comunitários colocam tanto para empresa que vai minerar quanto para empresa que fez os estudos de impacto ambiental, o que realmente sentimos, porque somos nós que podemos falar como vivemos e como queremos continuar a viver após a mineradora concluir suas atividades aqui. Vi com bons olhos a audiência porque estamos conseguindo visualizar a participação popular e compreender o que a Mineração vai fazer para que se reduza os impactos ambientais e sociais e, assim, poderemos vislumbrar um município melhor para futuras gerações”, declarou.
O Prefeito de Terra Santa, Odair Albuquerque, também esteve atento à audiência do PNM e destacou a importância de reunir todos para uma ampla discussão. “Esse momento é de extrema relevância para planejar o futuro do nosso município. Importante dialogar com o Ibama e com a MRN. Não tenho dúvida de que o projeto é de grande importância para Faro, Terra Santa e toda a região. A empresa tem uma parceria muito grande com Terra Santa, que recebe os recursos do CFEM e com isso temos investido em infraestrutura e educação, inclusive somos o segundo IDEB (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) do Pará, graças à parceria com a MRN, aos empregos e renda que são gerados aqui, além dos projetos sociais, como o de Meliponicultura e o Esporte na Cidade”, afirmou.
Márcio Canto, vereador de Oriximiná, participou da audiência na sua cidade e disse que o momento de escuta foi fundamental para o município. “Ressalto que queremos sim a continuidade das operações da MRN, mas pedimos que ela olhe com carinho e dedicação, principalmente, para as pessoas que serão afetadas e que seja feita uma compensação para essas pessoas, como a empresa sempre fez. E um ponto muito importante é a implantação em nosso município do Sistema S, especialmente Senac e Senai, para que nossos jovens possam se profissionalizar e tenham oportunidade de trabalhar, no futuro, na empresa”, comentou.
Emerson Carvalho, presidente da Associação das Comunidades das Glebas Trombetas e Sapucuá (ACOMTAGS), pontuou que as audiências públicas compartilham conhecimento e inclusive ele teve a oportunidade de levar esse conhecimento para as mais de 30 comunidades que entidade representa. “O acesso a essas informações do PNM são muito importantes. Aproveitamos também para protocolar as demandas das comunidades junto ao Ibama e à MRN. Nossa expectativa com a chegada do projeto é que sejam dadas oportunidades para os jovens das nossas comunidades trabalharem. A parceria que temos hoje com a MRN vai continuar e nesse evento consolidamos essa parceria”, afirmou.
Mitigação dos impactos
Durante as audiências, a empresa Arcadis, consultoria independente responsável pela elaboração do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental - EIA/RIMA, apresentou os detalhes desses documentos, que estão públicos no hotsite do PNM (www.mrn.com.br/projetonovasminas), além de terem sido distribuídos para consulta nas comunidades, associações comerciais, prefeituras e outros locais de acesso público na região.
Luiz Augusto da Silva Vasconcelos, gerente da empresa, explicou que, após o diagnóstico prévio da área do projeto, foram realizados estudos distintos que puderam identificar por exemplo, mais de 1000 espécies de plantas no entorno dos platôs das áreas de lavra. O estudo também identificou as características de animais, como répteis, anfíbios, mamíferos, aves e insetos. “Também realizamos entrevistas nas sedes dos municípios para caracterizar o perfil socioeconômico de cada um deles e, assim, entender como isso pode afetar os setores primários, secundários e terciários”, pontuou, informando ainda as projeções demográficas como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Também foi apresentado o resumo do Plano de Fechamento de Mina e as etapas de reintegração da área suprimida pelo projeto. Nas apresentações, Luiz Nascimento lembrou que o EIA/RIMA são estudos de viabilidade que analisam como os impactos levantados poderão ser mitigados.
Dúvidas
Conforme previsto no regulamento do Ibama, as audiências públicas foram transmitidas em live pelo canal do Youtube da MRN e estarão disponíveis para acesso ao público pelo prazo de 20 dias, a contar do término das audiências. Até o mesmo prazo, as pessoas poderão enviar suas dúvidas e sugestões para o órgão: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., que os incluirá para análise no processo do licenciamento. As contribuições também poderão ser endereçadas aos canais da MRN: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e WhatsApp (93) 99187-7466.